O Natal passou... esta semana será muito curta e logo após ela virá um novo ano.
É costume fazer uma avaliação das nossas atitudes e umas determinações e planejamentos para o que virá. Mas quem pode, verdadeiramente, planejar seu futuro? Isso é possível?
Se David soubesse que um dia colocariam um gorro de papai Noel em sua cabeça, talvez ele nunca tivesse derrotado golias... Michelângelo sequer gastaria seu tempo retirando-o de dentro de um grande bloco de mármore... ou não... como eles poderiam saber?
Mas o tempo passa, e esta é sua melhor qualidade... passar... e o mundo é reinventado e redescoberto todos os dias.
Natal passou, rápido como um furacão, mas não tão rápido quanto este ano. Muitas atividades, muito trabalho e pouco tempo para nós mesmos... para a nossa arte, para nossas reflexões, para as nossas crianças.
Tentamos nesta última semana parar o tempo para que possamos rever os acontecimentos e tentar "pegar" alguma coisa para consertar depois...
Como soldados Quebra Nozes desconstruímos o que passou buscando encontrar dentro das cascas duras e impenetráveis, (impenetráveis apenas para os que não têm a ferramenta correta), beleza e sabor desfrutáveis extraídos do amargor diário e insípido.
Da pedreira podemos tirar leite e flores.
Sempre podemos escolher se desejamos ver o buraco ou a rosquinha deliciosa que existe em volta... mas o difícil é fazer com que os que estão conosco enxergar o que está em nossos olhos e compreender a beleza de estar vivo e de saber que é possível viver em harmonia e com felicidade mesmo nos momentos mais difíceis.
Fenômeno delimitado no tempo e no espaço, a felicidade pode ser um momento curto ou eterno, depende sempre da fé individual e da cultura pessoal. 
Podemos fazer cara feia, estarmos contrariados, até mesmo com raiva de alguma coisa, mas tudo isso é muito mais passageiro e precisamos olhar por cima e por trás de todos estes momentos para compreender que existem coisas mais importantes em nossas vidas.
Que é possível sorrir a todo momento para a adversidade, se olharmos para o futuro e percebermos que há continuidade.
Que somos uma grande família e que podemos, juntos resolver qualquer dificuldade que aparecer pela frente.
Que tudo é passageiro, inclusive o motorista e o trocador!
Que podemos não estar exatamente onde queremos nem como queremos, mas estamos com quem queremos e isso é o que importa!
Que sempre pensamos diferente dos outros e ninguém é obrigado a ser igual a nós, nem pode ser obrigado a fazer as coisas do modo que queremos...
Quase sempre não podemos fazer o que desejamos!
Mas sempre podemos sorrir para o que não queremos fazer!
Precisamos olhar tudo como passageiro, exceto o amor que nos une à família e aos amigos.
Que não é preciso planejar tudo, mas é preciso aprender a aproveitar tudo o que acontece conosco com um sorriso livre de preocupação.
Nuvens e tempestades ocorrem e atrás delas sempre aparece um belo dia de sol... e após um belo dia de sol pode vir outra tempestade... e isso importa realmente? Penso que não.
Penso que não importa o que planejamos para nós ou para o futuro de nossos filhos, só importa que estejamos sempre próximos deles curtindo com eles os momentos.
Trocando olhares e sentindo com eles seus medos e suas alegrias. Somando com eles, crescendo e fantasiando, tropeçando e chorando. Errando, acertando e acima de tudo tentando!
Acho que isso é ser Pai, com "P" maiúsculo sim...
Não penso que acerto sempre, nem quero isso! Mas sei, como meu pai sabia, que algumas coisas jamais poderei fazer, nem por mim, quanto mais por eles!
E assim sigo fazendo o que sei e agindo como sei agir. Faço planos? Sim. Espero que eles aconteçam? Sim.
Se não acontecerem? Farei adaptações, mas não me consumirei por não ter conseguido, sorrirei e seguirei em frente. Não temo meus fracassos, jamais temerei. Erro com a certeza de que fiz o que achava que deveria ter feito.
Sempre poderei olhar os olhos destes meus queridos e dizer que estou aqui para caminhar com eles e dividir tudo com eles: alegrias e tristezas; vitórias e derrotas; sorrisos e lágrimas... como os três mosqueteiros: "- um por todos e todos por um!"

Assim, meu ano teve suas altas e baixas, foi um ano vivo. Muito vivo. Ano de mudanças importantes e decisões em encruzilhadas.
Momentos simples e diários como um CD do Carlos Santana ou fortes como uma sinfonia de Wagner.
Com cenas de qualquer novela, pois toda família dá um ótimo roteiro com tudo o que tem direito... e afinal...
Quais são meus planos para o próximo ano?
Manter-me vivo; defender minha dissertação de mestrado; rir mais e brincar com as minhas crianças; aprofundar minhas amizades na internet e fora dela; e acima de tudo estar próximo de quem eu amo!
Nada muito complexo, nem muito simples... apenas prosseguir errando e acertando!
Que 2008 seja um ano como outro qualquer, possível para todos!
Abraços