quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O TEMPO

O tempo é uma coisa pessoal para mim... Imagino que deva ser para todos. Faz tempo que quero escrever sobre o tempo e não arrumei tempo para isso...

Mas hoje parece que vai dar...

 

Não quero falar sobre o tempo, meteorológico, que é um saco, mas do tempo fluído das horas, dos anos e das Eras. Aquela dimensão física que tem como melhor característica a de “passar”!

 

A temática é complexa, pois a quarta dimensão ainda é um grande mistério para mim, e imagino que para muita gente por aí.

 

A Era Moderna nos impeliu para frente, para a velocidade, para o tempo futuro.

 

Vivemos fazendo coisas e correndo para todo o lado pensando no que virá e lamentando o que já foi. Não vivemos o presente, o dia de hoje, só o porvir. Não temos tempo para nada, para nós, para os amigos, para a família, para o desenvolvimento pessoal, para olhar o mundo que passa aqui fora. Eu luto contra isso há muitos anos. Meu primeiro combate contra o tempo foi jogar o relógio de pulso fora, há quase 25 anos eu não uso relógio, mas o tempo social continua me enchendo o saco.

 

Hoje em especial é um dia de passagem, passagem de ano, primeiro dia do ano. Uma marca especial do tempo. Contém a simbologia do recomeço, de ter passado e não retornar mais os momentos ruins e os bons. Página em branco que foi aberta e deverá ser escrita, preenchida com os nossos feitos dia a dia.

 

Falarei o óbvio ululante: O futuro ainda está por formar, o passado é imutável a menos que existam Universos paralelos. Digo imutável pois, penso que, o passado se for mudado por alguém do presente o presente deixará de existir e se ele deixar de existir deixará de existir também o agente e a motivação da mudança e tudo voltaria ao normal ou se criaria um Universo paralelo. Mas, se existirem Universos paralelos eles serão Multiversos e não Uni... ô linguagem e ciência complicadas...

 

Imagino que a viagem no tempo só possa ser feita ao passado e apenas como observador ou em espírito, sem existência física, já que a materialização de massa no passado ou a comunicação entre viajantes e nativos poderia comprometer todo o presente e consequentemente o Universo.

 

Mesmo assim desejo ardentemente uma viagem no tempo ou contatos com viajantes do tempo. Desejo certezas para meu futuro e explicações sobre alguns fatos do meu passado, desejo, como qualquer pessoa desvendar o Mistério da vida.

 

Seguindo estes pressupostos e vontades me considero um viajante do tempo, pois sou ótimo com datas mas nunca sei que dia é hoje. Viajo constantemente de um segundo ao próximo. Viajo no tempo e envelheço proporcionalmente. Este grau de percepção sobre a minha condição de viajante me dá certa tranqüilidade pessoal.

 

Eu tenho conseguido perceber o meu presente e a minha presença. Parei de fazer coisas para o futuro e para os outros. Parei de me preocupar ou me culpar pelo passado.

 

Não me importa mais o futuro já que o aqui e o agora é a única coisa que existe

 

A internet colabora comigo nisso, eu escrevo aqui e tudo fica, posso voltar o quanto quiser. O tempo aqui pára! Aqui ainda encontro amigos mortos no Orkut como se estivessem vivos, aqui posso ver como era um site ou o mundo há algum tempo atrás. E aqui eu vejo o hoje, o presente.

 

Eu sou um otimista incurável, disso eu sei, e acredito que existam mais pessoas que pensam como eu. Vamos abandonar o futuro e viver o hoje, escrever hoje, sentir o hoje.

 

Vivo o hoje cada momento!

Para todos que viverão comigo este ano de 2010:

Que 2010 seja presente!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Bolhas Herméticas

Bolhas herméticas

 

Éramos nus e solitários, e criamos bolhas herméticas para nos proteger:

 

a roupa, do ambiente

o sapato, do chão

a casa e as armas, dos animais

a linguagem, da solidão e da ignorância

a família e a sociedade, da fraqueza

os veículos, da distância

os remédios, das doenças

a agricultura e a pecuária, da fome

as leis, de nós mesmos

a justiça, nossas leis

o governo, nossas terras

a guerra, nossas vontades

o dinheiro, da miséria...

a religião, do infinito

as regras, do caos...

 

Passamos a vida tentando nos proteger de algo,

vivemos nos encapsulando em camadas infinitas de bolhas

cada dia mais distantes do mundo e da realidade

temos a desculpa de que desejamos viver mais e melhor

 

Mas dentro dessas bolhas só encontramos o tédio da segurança

 

E só nos sentimos vivos quando essas bolhas se rompem.

 

 

 

Rodrigo Vieira Ribeiro

06-12-2009