O problema de estudar é este... somos expostos a idéias e questões que nos fazem perceber o mundo e nos obrigam a pensar, a ficar com dor de cabeça e sem sexo...
Este ano uma série de informações e conceitos estão sendo revistos, relidos e reapreciados em minha pequena vidinha, e Adorno apareceu para abalar as estruturas mal construídas da minha personalidade...
Dizem que aprender é isso... deixar cair o que há de velho e mal construído para que, sobre as ruínas, uma nova construção seja erguida. Com novos alicerces, mais firmes que os anteriores, sem no entanto serem inanaláveis por novos e outros terremotos originados por novas idéias e conceitos...
Neste mês há uma programação especial no meu curso de mestrado que trata de um autor e filósofo alemão que se chama Theodor Adorno http://republika.pl/peenef2/angielski/hasla/a/adorno.html ou na wikipedia... http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_Adorno
Mas voltemos às teorias de Adorno... Adorno, para os que não foram no link sugerido, não é um enfeite que se pode colocar sobre as prateleiras ou sobre os seios de uma mulher.
A teoria da Semi-cultura aparece para nos mostrar e explicar que vivemos em uma sociedade que é uma escola que finge que ensina e nós, dentro desta sociedade fingimos que aprendemos... somos formados para termos uma educação enciclopédica e nos tornamos literalmente a nata da sociedade.
OBSIMPAC (OBServação IMportante PrÁ Caralho):Nata é aquele troço nojento, gorduroso, superficial que se forma no leite, tem gente que gosta... mas eu acho nojento... Senadores romanos também eram gordurosos e nojentos...
Nas observações deste pensador e filósofo (Adorno) os meios de comunicação e a nossa sociedade moderna transformaram tudo em meras coisas... é a coisificação do mundo! Tudo virou mercadoria e tudo não passa de informação breve e sem profundidade.
Aprendemos as notas iniciais das sinfonias, mas não temos a capacidade de apreciá-las. Vemos os quadros e conhecemos os pintores, mas não compreendemos a arte e sua expressão máxima, lemos poesia mas ficamos exclusivamente na sua primeira leitura, sem entender o todo que há por trás... sem interpretarmos em sua plenitude para alcançarmos o momento estético máximo, Balet e Ópera nem se fala...
Sabemos os nomes dos deuses do olimpo, mas lembramos deles apenas quando vemos algum desenho da Disney, vemos o Japão como exótico, os indígenas brasileiros como preguiçosos, os europeus como cultos, os americanos como imperialistas, mas não somos capazes de ir a fundo na compreensão de nenhuma cultura.
Nos limitamos exclusivamente a reter a informação superficial sem compreendermos as culturas e os fatos em sua contextualização.
Pela minha humilde compreensão do todo... a teoria da Semi Cultura leva à Teoria Crítica. (notem bem... estou aqui também praticando a teoria da semicultura e estou apresentando apenas as pequenas notas superficiais sobre o autor e suas teorias... se alguém desejar se aprofundar que compre livros e os leia)
A semi cultura leva à banalização dos fatos, ao sucateamento do pensamento, à incapacidade definitiva de sermos cidadãos plenos.
Ao percebermos que somos superficiais em nosso conhecimento do mundo que nos cerca devemos tentar recuperar nossa capacidade de criticar o mundo pela compreensão e apreensão dos fatos.
Nietzsche já levantava a lebre anos antes com a questão de que a ciência e a tecnologia não nos fizeram melhores pessoas, não transformaram o mundo como esperava o pensamento de Kant.
Adorno seguindo a lebre de Nietzche agrava mais ainda a nossa situação nos informando que ainda somos capazes de praticar a barbárie, ou barbarismo como aconteceu com os Judeus na Alemanha Nazista, com os russos sob a mão de Stalin, e ainda, em pleno século XXI, sem que Adorno nos visse ou soubesse, a história se repetiu, mais recentemente com os muçulmanos por conta do Uncle Sam Bush e com os palestinos em Israel, enfim... e com todas as louras das piadas, com as minorias sexuais e raciais.
A teoria crítica de Theodor Adorno nos conclama a pensar que precisamos ser mais críticos e que devemos ir mais a fundo nas notícias e nas informações que chegam até nós, que devemos criticar tudo para evitarmos sermos enganados pelos poderes que detém os meios de comunicação de massa e para evitarmos aceitar todo tipo de informação banalizada e todo tipo de dominação implícita neste tipo de informação.
O preconceito é semicultura!
As piadas sexuais, raciais, políticas... tiram do outro a possibilidade de rir conosco. Banalizam os sentimentos e pensamentos dos que são diferentes, dos que pensam diferente, dos que fazem diferente lançando-os ao mais profundo inferno do isolamento social.
Não penso que devamos deixar de ver graça nas piadas raciais, políticas, etc... longe disso, mas que também observemos que por trás destas piadas existe um forte apelo à violência simbólica e à negação do outro em sua individualidade e sua capacidade de ser uma pessoa como todos nós.
Podemos fazer diferente, podemos começar a aceitar as pessoas à nossa volta do jeito que elas são e não do jeito que desejaríamos que elas fossem.
Que tal passarmos a rir de outras coisas. Podemos rir do próprio formato da piada, de seu absurdo cultural, de quem as produz ou as difunde? Ou podemos passar ao humor non sense não preconceituoso, o mundo é muito engraçado podemos rir de tudo e de todos sem diminuirmos ninguém e sem que para isso transformemos alguém ou algum povo em escória.
Ri melhor quem ri acompanhado!
Durmam tranquilos que nada mudou, é apenas um gordo, na crise da meia idade, neto de português fazendo o dever de casa!
Abraços
Rodrigo