quarta-feira, 26 de julho de 2006
Rodrigo Vieira Ribeiro's Photo Galleries at pbase.com
Tem umas fotos minhas por lá... aos poucos vou passar tudo para cá...
Pete Cabralis Design, Comunicação e Marketing
Esta é minha agência... muito desativada, meio que completamente parada... mas com um portifólio que dá prá olhar... mantenho o site para depois mudar para a área de Tecnologias da Educação e Design de Interface
FÉRIAS...Muito inquietas...
Férias? O que é isso?
Quando éramos jovens, crianças ainda, tínhamos férias! Isso sim eram férias! 3 meses de férias no verão e 1 mês de férias no inverno.
Podíamos ficar o dia inteirinho a trabalhar no que mais nos interessava.
Piscina, praia, bicicleta, brincar de polícia-ladrão, subir morro, fazer represa na chuva, conversar com os amigos até tarde, ver TV, na época 1 canal só que passava filme, sessão da tarde, Jerry Lewis, filmes de guerra e de caubói.
Podíamos ficar na rua, brincando sem problemas.
Nossos pais, quando tiravam férias, passavam o mês inteirinho com a gente, as vezes dava até para viajar.
Era um mundo mais lento, mas fácil de entender e de viver, bom e mau, preto e branco.
Não sou saudosista, nem penso que o mundo era melhor naquela época.
Vivíamos uma ditadura militar, não tínhamos opção de cultura, apenas o que era fornecido pelo monopólio televisivo, censura e tudo o mais... sem contar que vivíamos em um mundo onde quase nada acontecia, o tempo não passava.
Me lembro de um filme que sou fã, do Grupo Monty Python, "A Vida de Brian", se você não o viu encontre em sua locadora mais próxima e veja!
É hilário... em um determinado trecho onde o personagem principal está escondido dos romanos no seio de uma "Organização para a Libertação da Palestina" (ou algo muito parecido, com o nome mais engraçado) que eles conspiram para sequestrar a mulher de Pôncio Pilates e discutem o que irão pedir como resgate... o diálogo é mais ou menos assim(os puristas que perdoem minha memória):
- Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista!
- Mas eles nos truxeram o Aqueduto que nos mantém com água o ano todo...
- Então...Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista e deixem o aqueduto!
- Mas eles nos truxeram as estradas e os pedágios, que é uma ótima fonte de arrecadação...
- Então...Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista e deixem o aqueduto, as estradas e os pedágios!
- Mas eles nos truxeram a organização nas feiras, a coleta de lixo e a saúde...
- Então...Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista e deixem o aqueduto, as estradas e os pedágios, deixem também a organização das feiras, a coleta de lixo e a saúde!
- E eles trouxeram também seu dinheiro para gastar conosco e suas mulheres que são ótimas e nos deixam bulir com elas!
- É... os Romanos só trouxeram coisas boas... Então,... que os Romanos apenas vão embora e deixem toda a sua influência cultural e imperialista e suas mulheres para que possamos bulir com elas!
Resultado...vivemos querendo manter os lucros que as mudanças nos proporcionam, mas não desejamos pagar o preço. A pós-modernidade nos fez perder as férias, temos tempo nenhum, ficamos o dia e o ano inteiro correndo atrás do prejuízo, sonhamos com aquele passado de criança, quando tudo era mais simples.
Não queremos abrir mão de tudo o que temos hoje: Liberdade, opções, comunicação instantânea, pluralidade cultural, saúde, remédios para quase tudo, meios de locomoção mais seguros, comida saudável se vc deseja ter comida saudável... enfim... é inegável que hoje é melhor que há vinte anos atrás...
Mas vivemos uma correria que poderia ser menor. Poderíamos ter um mundo mais justo, mais correto para se viver honestamente, nisso eu concordo.
Mas eu disse que está melhor e não que está perfeito!
Há uns 10 anos atrás eu tinha um cliente no Rio, que trabalhava sempre de terno, todos os empregados dele também, de segunda a sexta era aquela correria, sempre muito trabalho e muita atividade e preocupação, bem humorados, mas muito sérios.
Teve uma vez que precisei ir lá durante um final de semana e o que descobri? Estavam todos lá! Trabalhando, apenas com roupas diferentes... bermuda e camiseta, todos sorridentes, alegres, felizes, mas lá... trabalhando... e, note bem, corretamente recebendo para isso...
Neste dia eu descobri que na atualidade a diferença entre o trabalho e o descanço é a vestimenta!
Que é impossível ter férias de um mês e finais de semana de pernas pro ar! Que esta imagem paradisíaca da época de nossos pais corresponde a uma realidade que não existe mais.
Que somos seres produtivos e que não pode haver diferença entre trabalho e descanso maior que a roupa que usamos e, finalmente que, quando éramos crianças não tínhamos a percepção de que nossos pais também não descansavam como lembramos que eles faziam.
Eu viajei, visitei em férias alguns países e o que fiz durante os 10 ou 15 dias nos lugares? Trabalhei, andei prá cima e para baixo tentando aproveitar o máximo o lugar, fotografando, indo a shows e óperas, comprando, consumindo... correndo igualzinho ao meu período de trabalho!
Sem descanço.
Quando estava chegando ao final de minhas férias sonhava com voltar ao trabalho para descançar! Voltar para a minha cama!
Férias de 30 dias? Alguém tem uma prá vender? Pago bem!
Mas eu quero as férias... de pernas pro ar!
Abraços
Rodrigo
quinta-feira, 13 de julho de 2006
Nada Inquieto, mas sempre com uma pulga atrás da orelha...
Depois da bonaça... vem a tempestade...
Esta semana estava lendo sobre a Educação no período da Primeira República, um autor muito interessante e bem crítico(Paolo Nosella) que mostra(como Guimarães Rosa já havia feito) que a Primeira República era um engodo, pois apenas mudaram-se as titulações, e os políticos e o poder continuava nas mãos das mesmas pessoas do antigo regime...
Mas a crítica do escritor era sobre o caráter pseudo liberal da educação na Primeira República, que apresentava a face de "educação para a cidadania" para "inglês ver" e "alfabetização para todos" apenas no papel, e, só oferecia escola de qualidade para as elites hegemônicas do país... o interesante é a visão do crítico que alivia a culpa das elites e o governo da época demonstrando que, por ser um país com uma economia extrativista, onde era só pegar e vender, este modelo de escola era suficiente.. afinal para que servia ler e pensar se o cara só precisava usar a força?
Que nossa visão crítica atual, completa ele, se deve às necessidades de um mundo industrial, que necessita de um trabalhador que pensa, sabe ler, usa a criatividade e precisa de escola. E que a escola das elites na Primeira República serviram para que os por ela formados constituissem nossa industria e nosso setor de serviços...
Depois deste período ele critica a fase populista da educação.... que surge na década de 1930 e vai até o início da década de 1990. que também amplia a democratização no papel e expande o acesso à escola mantendo o dualismo da educação para pobres e para a elite.
Não entrarei em detalhes sórdidos pois vivemos esta época na pele...e presenciamos os detalhes: a degradação do ensino público, a queda na qualidade da formação dos professores, a eliminação do poder pensante e autônomo, o crescimento da rede pública sempre com investimentos insuficientes, a falta de critérios de avaliação de desempenho de professores, o sucateamento das universidades federais e estaduais e a proliferação de escolas privadas sem fiscalização adequada com o ensino noturno de baixa qualidade (não que não exista ensino noturno de qualidade... estou falando dos ruins... outro dia falarei dos bons...).
Este período também teve suas conquistas, nossa LDB é bastante avançada e democratizante, mas como sempre, a verba nunca chegou para a educação e tudo o que foi feito, aparentemente serviu aos propósitos do Governo de melhorar índices e estatísticas superficiais de qualidade de vida.
A década de 1990 surge com uma reavaliação de todos os costumes, políticas, pensamentos, filosofias, enfim... no campo da educação começa-se a repensar a qualidade da educação e a educação para todos...
Aí surge o Neo-Liberalismo! Que promove a retirada definitiva da máquina do governo de onde ele sempre faltou... o que não tinha, agora declarou que não vai ter mais mesmo...
O neoliberalismo pode servir lá pras negas dele... onde o Estado do Bem Estar Social já foi implantado... mas aqui? Onde ainda nem vivemos direito a saída de país agrário para industrial?
Nunca tivemos revolução industrial e fomos assambarcados pela era da informação... temos que queimar etapas, como fez o Japão Feudal, isso eu concordo, mas não podemos importar modelos que não servem para nós.
terça-feira, 11 de julho de 2006
OUTRA INQUIETAÇÃO... FAZER 43 ANOS!
Pois é, passei pelos 30 sem nem perceber, cheguei aos 40 na boa... sempre ouvi que havia a crise dos 30 e a dos 40... crises que não vivenciei, não vivi... não como dizem... psicanalítica, vivencial, depressiva... nada disso...
Andei percebendo algumas diferenças físicas, cabelo na orelha, no nariz, sobrencelha desgrenhada... uma dorzinha de coluna aqui outra ali... e a falta de disposição para ficar acordado e virar a noite seja lá para o que for...
Mas tenho a impressão de que eu estava preparado para estas mudanças e passei por elas rindo, como tudo o que faço na vida.
Rio dos meus erros, rio das minhas deficiências e das minhas faltas e acima de tudo, rio de mim. Acho tudo muito divertido e engraçado... adoro uma boa risada.
Mas o 43 me pegou de jeito!
Neste ano percebi que precisava, precisava mesmo de óculos! Ler sempre foi minha atividade preferida... de uns tempos para cá percebi que eu lia cada vez mais devagar e cada vez com mais dor de cabeça... fui ao oculista e ele achou... PRESBIOPIA, a terrível declaração definitiva da idade final!
Da velhice incontestável, até este ano eu pensava como se tivesse 20 e acreditava que tinha 20 anos!
Mas agora eu uso aquele oclinhos de velho, com 1 grau! Para perto!
Ainda vejo muito bem de longe...enxergo mais até do que existe...heheh... mas para ler de perto... sou um velho!
Pois é!
43 anos... me pesam o quase meio século... andei repensando muitas coisas... não sei se são os 43 ou os óculos...
Mas começo a enxergar o mundo diferente, com olhos presbíopes... se o mundo fica mais bonito ou mais feio assim... tanto vaz.
O que vale é que de perto eu não enxergo mais... portanto para mim agora todos são normais!
Abraços