Depois da bonaça... vem a tempestade...
Esta semana estava lendo sobre a Educação no período da Primeira República, um autor muito interessante e bem crítico(Paolo Nosella) que mostra(como Guimarães Rosa já havia feito) que a Primeira República era um engodo, pois apenas mudaram-se as titulações, e os políticos e o poder continuava nas mãos das mesmas pessoas do antigo regime...
Mas a crítica do escritor era sobre o caráter pseudo liberal da educação na Primeira República, que apresentava a face de "educação para a cidadania" para "inglês ver" e "alfabetização para todos" apenas no papel, e, só oferecia escola de qualidade para as elites hegemônicas do país... o interesante é a visão do crítico que alivia a culpa das elites e o governo da época demonstrando que, por ser um país com uma economia extrativista, onde era só pegar e vender, este modelo de escola era suficiente.. afinal para que servia ler e pensar se o cara só precisava usar a força?
Que nossa visão crítica atual, completa ele, se deve às necessidades de um mundo industrial, que necessita de um trabalhador que pensa, sabe ler, usa a criatividade e precisa de escola. E que a escola das elites na Primeira República serviram para que os por ela formados constituissem nossa industria e nosso setor de serviços...
Depois deste período ele critica a fase populista da educação.... que surge na década de 1930 e vai até o início da década de 1990. que também amplia a democratização no papel e expande o acesso à escola mantendo o dualismo da educação para pobres e para a elite.
Não entrarei em detalhes sórdidos pois vivemos esta época na pele...e presenciamos os detalhes: a degradação do ensino público, a queda na qualidade da formação dos professores, a eliminação do poder pensante e autônomo, o crescimento da rede pública sempre com investimentos insuficientes, a falta de critérios de avaliação de desempenho de professores, o sucateamento das universidades federais e estaduais e a proliferação de escolas privadas sem fiscalização adequada com o ensino noturno de baixa qualidade (não que não exista ensino noturno de qualidade... estou falando dos ruins... outro dia falarei dos bons...).
Este período também teve suas conquistas, nossa LDB é bastante avançada e democratizante, mas como sempre, a verba nunca chegou para a educação e tudo o que foi feito, aparentemente serviu aos propósitos do Governo de melhorar índices e estatísticas superficiais de qualidade de vida.
A década de 1990 surge com uma reavaliação de todos os costumes, políticas, pensamentos, filosofias, enfim... no campo da educação começa-se a repensar a qualidade da educação e a educação para todos...
Aí surge o Neo-Liberalismo! Que promove a retirada definitiva da máquina do governo de onde ele sempre faltou... o que não tinha, agora declarou que não vai ter mais mesmo...
O neoliberalismo pode servir lá pras negas dele... onde o Estado do Bem Estar Social já foi implantado... mas aqui? Onde ainda nem vivemos direito a saída de país agrário para industrial?
Nunca tivemos revolução industrial e fomos assambarcados pela era da informação... temos que queimar etapas, como fez o Japão Feudal, isso eu concordo, mas não podemos importar modelos que não servem para nós.
Essa inquietação é danada, Rodrigo. Sua dissertação é sobre ela?
ResponderExcluirné não... foi uma resenha que fiz para a aula de história da educação...
ResponderExcluirah ok, ok.
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