Tem um conto do Asimov que se chama : Ele construiu uma casa torta... trata de um arquiteto que projetou um tesserac para morar dentro dele... acontece que o tesserac é o chamado hipercubo, e ele construiu a projeção deste teserac na nossa dimensão... acontece que a projeção aparentemente estável na nossa dimensão sofre um abalo e se dobra na quarta dimensão e aí o cara estava dentro de casa e podia olhar simultaneamente para diversos lugares do planeta, uma janela para cada canto... se vc não leu este conto.. procure e leia, é muito estimulante.
Quando eu estava estudando História da Arte na Escola de Belas Artes da UFRJ, há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante, e fomos estudar as obras de Picasso. Em particular o cubismo. Eu escrevi um texto da relação da visão do artista com a quarta dimensão, texto que se perdeu e ficou no passado, mas a idéia principal era a seguinte:
Somos, ou pensamos ser em princípio, seres de 3 dimensões. Temos uma visão limitada destas três dimensões, pois nosso sistema de visão possui apenas dois receptores e o que vemos é uma pequena noção de profundidade. Aprendemos a representar estas três dimensões no papel através da técnica dos pontos de fuga que dão a ilusão de perspectiva.
Imagine um ser humano artista que tivesse uma pequena percepção/visão da quarta dimensão. Imagina o sofrimento deste homem para tentar fazer com que as pessoas entendessem o que ele enxergava. E mais... como representar as quatro dimensões, incluindo a simultaneidade, para seres com visão limitada das três dimensões em um suporte bidimensional que é a tela de pintura?
Pois foi o que eu penso que Picasso fez. Enxergou a quarta dimensão, com seu aparelho limitado de três dimensões que é seu cérebro e representou em duas dimensões... não é a toa que ele chamou de cubismo...
Penso também que cubista foi apenas e somente Picasso... os outros apenas o imitavam para conseguir um troco no mercado que virou moda...
Putz, Rodrigo, lembro até hoje de você na EBA me explicando o seu *insight*... :-) Ainda acho essa teoria o máximo.... Tem uma série de filmes chamada *Cubo* (bom, a coisa é meio na linha Jogos Mortais, algumas cenas requerem um certo estômago, mas os roteiros são todos interessantíssimos!!!), tem Cubo, Cubo2: Hipercubo e Cubo Zero. Vc já assistiu algum desses??? Tenho certeza que vc vai gostar...
ResponderExcluirEra preciso eu estar fazendo mestrado em História da Arte com ênfase em ficção científica para teorizar a respeito... heheheh
ResponderExcluirEsta série que vc falou é em qual canal? Se bem que eu não tenho estômago para cenas fortes como no CSI ou no Hannibal por exemplo... atualmente qualquer coisa maior que uma mestruação já está me deixando mal... deve ser a idade e o número de filhos...
Era preciso eu estar fazendo mestrado em História da Arte com ênfase em ficção científica para teorizar a respeito... heheheh
ResponderExcluirEsta série que vc falou é em qual canal? Se bem que eu não tenho estômago para cenas fortes como no CSI ou no Hannibal por exemplo... atualmente qualquer coisa maior que uma mestruação já está me deixando mal... deve ser a idade e o número de filhos...
Hahahahaha... taí uma linha de estudo bem interessante... =D
ResponderExcluirEita! Então melhor esquecer a idéia de ver essa série... rs.
ResponderExcluirE não TV não, é filme, tem nas locadoras...
tou fora então... heeheh
ResponderExcluirPois é... bem pós-contemporânea...
ResponderExcluirJá que a modernidade tem mais de 100 anos e a pós-modernidade foi um lance passageiro e atualmente não conseguimos mais viver a contemporaneidade por causa da velocidade do mundo e da eterna ansiedade de nossa sociedade... apenas o termo pós-contemporâneo seria adequado para uma tese deste tipo...
Vou ter que entrar no doutorado para cunhar o termo pós-contemporâneo e para inserir este "estado de espírito" de nossa sociedade...
Agora complicou...doutorado em História da Arte com ênfase em Ficção Científica ou Sociologia Pós-Contemporânea?
A vida no século XXI está trazendo idéias cada dia mais absurdas...
:-P
Pós-contemporâneo é ótimo!!! Vc deveria ao menos escrever e publicar alguma coisa nesse sentido antes que algum outro acadêmico lance mão da sua idéia antes de vc chegar ao doutorado! :-)
ResponderExcluirEstou trabalhando no artigo... nas horas vagas é claro... faltam-me referências sobre psicologia para definir a questão contemporânea da ansiedade e da reação das pessoas quanto à velocidade dos acontecimentos no nosso mundo de hoje...
ResponderExcluirPassei o semestre passado estudando a pós-modernidade e li uns 25 livros sobre o assunto... mas a questão pós-contemporânea foi o que me valeu a entrada no mestrado. Na entrevista, no final de 2005, eu falei da necessidade de cunhar o termo por causa desta eterna ansiedade pelo que virá que a sociedade moderna e tecnológica nos impõe.
O pós-moderno foi apenas uma condição, uma percepção das falhas e monstruosidades causadas pela modernidade, este momento de tomada de consciência da nossa condição já passou, já vivemos o momento do culturalismo (ler Alan Touraine, 2006) desde a queda do muro de Berlim e do atentado de 11/09.
Ainda faltam leituras...mas vou tocando...
Já pensei em algo similar em relação aos sentidos.
ResponderExcluirPara que as pessoas entendam melhor o que vc tenta colocar não seria interessantes sugerir-lhes que se imaginem seres que enxergam somente duas dimensões? E depois mande que tentem explicar para vc, que desconhece a terceira dimensão, o que ela seria. Achop que a imaginação deles chegará lá!
Porque quando eu falava com um amigo sobre um sexto sentido. Um sentido novo. Eu dei exemplo a ele: Leo, seria como se vc não enxergasse. Imagine como eu poderia explicar para vc o que é um azul. Louco. Não? Não teria jeito...
Foi um boa reflexão! Valeu!
É exatamente isso! Foi o raciocínio que segui para entender, não a obra, mas a mente do artista. É o que me faz pensar que cubista de verdade é só Picasso, mais ninguém, os outros, na minha humilde opinião, apenas copiaram a estética, sem perceber a inquietação de Picasso.
ResponderExcluirMais um ponto na conversa é o seguinte: Picasso era inquieto e perseguia uma expressão que foi mudando como em poucos artistas. Gosto de compreender esta "inquietação" do artista como uma "experiência quântica", uma "viagem" real em outra dimensão...
Como a arte sempre antecipa a ciência... eis mais uma vez o avanço do artista em um assunto que somente atualmente tem sido compreendido e assimilado pela ciência.
Obrigado pelo comentário!
ResponderExcluir