Há 29 anos atrás eu, com 16, tentando decidir o que faria com a minha vida profissional, conversando com um amigo da família que já era aposentado e ele me aconselhou assim:
- Vocação? Esquece isso! Você tem que escolher como profissão o que você mais odeia!
Na ocasião eu ri… e ele completou:
- Tá rindo? Ô risadinha, você tem que escolher “DIREITO”, que você vai odiar cada segundo!
- Mas eu vou trabalhar com o que odeio? Respondi ainda meio rindo e perdendo o riso, pq ele estava sério…
- É, você tem que trabalhar com o que odeia! Pois só assim vc ganha dinheiro de verdade! Pois trabalhar com o que gosta vc nunca vai saber como cobrar, seu prazer será paga suficiente… com o que você odeia, você cobrará caro cada segundo da profissão e poderá ficar rico!
E eu saí de lá… como todo jovem inexperiente e fui fazer Design, que era o que eu gostava…
Há 10 anos atrás fiz uma amizade pela internet que é juíza trabalhista e ela me disse: - Larga o que vc está fazendo e vai fazer Direito! Faz concurso e vai ser Juiz!
Eu desliguei o computador e voltei para o Design, que era o que eu gostava...
Passados alguns anos eu praticamente deixei o design de lado... agora sou professor de graduação em curso de comunicação e estou no mestrado em educação, criando coragem para terminar minha dissertação e marcar a defesa...
De novo estou fazendo o que eu gosto...sempre fiz o que gosto e nunca soube cobrar pelo que faço...
Mas se eu tiver que aconselhar alguém vou aconselhar exatamente como estes amigos me fizeram... Façam o que eu digo mas não façam o que eu faço!
Acho que não vou ficar rico nunca...e já cheguei na idade que não preciso mais aparecer e jogar para as platéias.
Aliás... meus 4 filhos são minha riqueza, já sou rico.
:-)
:<) deveras.
ResponderExcluirPra que ficar rico?
Também sempre fiz o que gostava, não me arrependo de nada nem troco nenhuma de minhas opções profissionais por outra.
Mas, confesso: fiz ISOP; sabe o que é?
Bateria de testes vocacionais, aplicados em adoslescentes em dúvida quando eu era menina.
Não preciso dizer que deu Arte, disparado.
E "nenhuma contra-indicação para Psicologia", minha segunda opção, já na época.
Pouco mudei
:<))
Dinheiro para poder ir a praia, quando der na telha.
BJs.
Ah, Rodrigo... idenficação total... queria ter tido álguem para me aconselhar a fazer 'Design', 'arquitetura'... bateram justamente na mesma tecla: Direito. Acabei fazendo...pior: gostando! Hoje tb não sei cobrar pelo que faço... não sou rica, porém advogada, professora... e por aí vai... viu?! Fizeste bem!!!
ResponderExcluirObs. Que mentira... claro que tb sou rica... tenho a minha Bia!!! Hehehe.
Este é ó ponto Denise!
ResponderExcluirNa juventude sofremos pressões de todo lado, família, amigos, namoradas e tudo por trás de uma aparência de sucesso que simplesmente não existe!
Eu fiz o Tal do ISOP tb... na verdade eu comecei e larguei no meio quando chegou a hora das entrevistas... eu não gostava que a psicóloga me perguntasse coisas, eu achava aquilo uma invasão de privacidade, fora que eu tinha certeza que estava sendo vigiado pelo DOPS e pela Ditadura Militar...
Sempre fui meio paranóico e na época eu escutava coisas terríveis!
:-)
É isso... fez o que gosta! hehehehehe... a teoria do meu velho e falecido amigo é muito boa não é?
ResponderExcluir:-)
Viver decentemente é uma coisa, ficar rico, bem... até que pode não ser difícil: basta ser puxa saco, pusilânime, prevaricar muito, dar uma boa afrouxada na sustentação dos valores pessoais, engolir sapos a granel...e, claro, trabalhar que nem doido para não dançar porque quem tem rabo preso tem que se virar o tempo todo, hehe!
ResponderExcluirFora desta fórmula estão os gênios, grandes artistas, grandes atletas e coisas do gênero.
Mas acho que Sócrates tem razão. A nossa formação demarca os limites das nossas escolhas, inexoravelmente...A formação é o destino.
Adorei a declaração, percebo que estou no meio de muitos "não ricos como eu"
ResponderExcluirMinha educação tb não me permite puxar o saco... é desesperador, mas não consigo! E olha que eu já tentei... e soa falso!
:-)
Isso só me lembra o livro Ardil 22... quem leu aqui?
Mas este post nasceu de 2 conversas de ontem... A primeira no blog da Batata Transgênica http://batatatransgenica.wordpress.com/2008/10/14/duvida-quase-cruel/
ResponderExcluire a segunda na casa de um primo meu que tem 2 filhas, nesta idade de decidir, e já começaram medicina e sociologia e já desistiram e vão tentar para comunicação e história...
Contei esta história 2 vezes ontem e achei que era dever meu contar esta história aqui para vcs tb...
:-)
rsrsrsrs
ResponderExcluireu estava sendo, já na FAU, mas nunca dei a mínima pelota;
engraçado você ter feito o tal do ISOP também;
ficar rico pra que, mesmo?
tem que ter saúde, basta uma pessoa que nos ame e ature e alguma felicidade;
BJão.
Se aturar já tá bom o bastante!
ResponderExcluirAturar é amor incondicional! heheheheeh
ISOP era moda naquela época... conheço um bocado de gente que fez...
vocação pai. Os filhos amados são um mérito. E em tudo o que fazemos temos que por amor...
ResponderExcluirquanto ao não jogar pras plateias, deve vir com a idade e as análises até chegar a ela, não?
Separar o que importa do que é lixo, e depois da triagem feita é a consciência a queimar cartuchos na vida. Gostei deste pedaço confessional...a minha vocação é viver
Vc passa a metade do seu dia fazendo algo que nao gosta pra depois que ficar coroa, curtir o que ganhou? e a qualidade de vida? o tempo que perdeu que poderia ter curtido?
ResponderExcluirO ideal é sempre poder unir o util ao agradavel, mas realmente nem sempre se consegue.
Abs
Não estou com veia confessional, Rodrigo, com alguma pena, porque o post é bom e merece ampla conversa.
ResponderExcluirApenas queria lembrar um aspecto que me parece passou ao lado. Refiro-me à capacidade de escolha do caminho. Não será isto coisa de elitismo? Quem é que tem verdadeiramente capacidade de escolha?
Outro aspecto é o seguinte: aquilo que se persegue, ou seja, o exercício da escolha, não será determinado por questões prévias mais ou menos inculcadas na nossa matriz educacional, social ou mesmo genética?
Rodrigo,
ResponderExcluirEssa me fez lembrar a de um amigo que foi fazer um teste, e quando um dos examinadores estava de costas viradas para ele, não resistiu e roubou uma canetinha Parker que estava na secretária.
Duas semanas depois, quando o resultado de teste chegou a casa, a folha branca tinha uma só palavra escrita:
LADRÃO
Isto foi há uns anos. Hoje, este amigo é político.
Estou pensando em fazer um 'teste vocacional'... vai que agora dá certo. Áté hoje procuro o meu 'superdote' da infância... e neca! Estou começando a acreditar que não sou "uma criança-superdotada que cresceu antes de descobrir o seu 'superdote'"... Dá-lhe terapia! hehehe.
ResponderExcluirUma pergunta fatal...
ResponderExcluirDai a precisão das palavras de Eça de Queroz:
ResponderExcluir"Políticos e fraldas há que se trocar periodicamente, pelos mesmos motivos".
Não conhecia esta frase do Eça (verdade ou blague?), mas é tipicamente perspicaz.
ResponderExcluirEu acho que alguma escolha as pessoas fazem. Conheci um cara que começou como modelo aos 13 anos, em Belem do Pará, mas para conseguir os trabalhos, ele tinha que deitar com alguem.. Ele acabou achando mais vantajoso se tornar michê. !0 anos depois ele esta morando no Rio, fazendo balé classico e trabalhando fazendo cenários e ajudando em produções e só quando precisa de um extra, ele atua como michê. Ele chegou a ir pra SP, mas preferiu o Rio...
ResponderExcluirSabe, Rodrigo, o conselho que te deram faz um certo sentido...Mas eu, que sou jornalista há quase 20 anos e médica veterinária há apenas 3, posso dizer que é possível gostar do que se faz e ganhar dinheiro com isso. No meu caso, a paixão sempre será o jornalismo, o resto é hobby!
ResponderExcluirBeijos
Voltando à conversa, e depois de pensar mais um pouco, estou mais em crer que, de uma forma geral, a correlação entre gostar de um trabalho (ter uma vocação) e ter "jeito" para ganhar dinheiro é espúria.
ResponderExcluirEm todas as profissões ou actividades, i.e. médicos, economistas, pintores, escritores, mecânicos de aviões, jogadores de futebol ou cafetões, há gente que sabe como ganhar dinheiro e gente que liga mais a outros factores. No fundo, cada um persegue aquilo que lhe dá pica, gozo, prazer, qualquer que seja a actividade que desempenhe.
Exemplo confessional: o dinheiro para mim é um meio, nunca um fim em si próprio; aprecio coisas boas que a vida tem, as quais nem sempre são grátis, aquela treta de the best things in life are free já foi, por isso preciso de dinheiro; mas NUNCA chegarei a rico, poderei viver mais ou menos bem, mas nunca acumularei dinheiro. Não é isso que me move ou me dá pica.
Entre confissões e confusões estou gostando do caminho que toma esta conversa de boteco...
ResponderExcluirEvitemos transformar esta conversa em algo acadêmico... mas precisamos definir o que é ser "Rico" para podermos conversar no mesmo patamar... Obviamente o rico a que me refiro é o rico que existe em histórias... aquele que vive em mansão, faz o que quer e compra o que quer, desde times de futebol americano à diamantes, o que vive em cima de uma mina de riquezas inesgotáveis... um verdadeiro Paschá! Que possui poder de vida e de morte sobre seus subalternos, que é visto como sucesso como o Bill Gates ou algum playboy "trilhonário"...
Existia na minha juventude a fantasia de que trabalhando em uma profissão honesta, bem escolhida, alguém de classe média pode chegar à classe dos poderosos. O chamado American Dream.
É uma ilusão da cultura capitalista que angustia os jovens, meus alunos por exemplo...e me angustiava quando eu tinha 16 anos e precisava escolher alguma profissão de sucesso...
Também penso que é possível gostar do que faz e ganhar dinheiro com isso, mas não ficar milhonário! (quanto mais tri)
Na nossa sociedade da exclusão só conseguimos chegar aos primeiros lugares pisando na cabeça dos segundos (algo como o Renato disse aí em cima)...
Por outro lado é possível viver com um certo conforto, obtendo o meio de sustento, com algumas ótimas e bem caras satisfações como disse o Rogério, mesmo porque, como ele disse, as melhores coisas não são grátis...
O que eu acho interessante aqui é que há uma certa homogeneidade nas opiniões, talvez por proximidade de experiências, classe sócio-cultural... essas coisas... todos nós concordamos que dinheiro pode não ser tudo, mas ajuda muito... e todos nós também concordamos que já descobrimos que a função primordial da vida não é acumular capital...
Gostei também do ponto de vista do Rogério reforçado pelo Alex, quem escolhe verdadeiramente seu caminho? A sociedade nos empurra e nos limita ou nos expande conforme a necessidade dela... e nós... no meio...
E sem qualquer sobra de dúvida a frase do Eça de Queiroz (sendo dele ou não) é uma bela constatação da realidade!
Mas tem muito mistério na coisa da grana. Lembro que uma vez, chegando minha vez na beira do caixa de uma loja, preparei o dinheiro certinho e trocadinho e entreguei dobrado para a moça. Ela pegou , desdobrou e contou nota por nota, ao que eu disse: "Não confia em mim, querida?" E ela, cheia dessa maravilhosa sabedoria prática, me responde: "Confiar no senhor eu confio, mas é que dinheiro engana!"
ResponderExcluirFiz teste vocacional com 18 anos.
ResponderExcluirNo primeiro ano de funcionamento do Colégio André Maurois - Diretora Henriette Amado.
Fiquei "pirado", pois o resultado indicava que eu era apto tanto para a área técnica quanto para a humana, científico ou clássico, em qualquer das duas me daria bem, 100% de opções.
Estou pensando em ir estudar em Summerhill :-))
Summerhill é uma escola inglesa, fundada em 1921 por Alexander Sutherland Neill (Escócia, 1883 - 1973). É uma das pioneiras dentro do movimento das escolas democráticas. Atende crianças do ensino fundamental e do ensino médio. Atualmente a diretora é a filha de Neill, Zoe Readhead.
Uma escola democrática é caracterizada por dois princípios básicos: a possibilidade de os alunos escolherem se querem ou não assistir as aulas e a dinâmica de assembléias, onde todos participam, para decidir as normas da escola.
Summerhill se destaca por defender que as crianças aprendem melhor se livres dos instrumentos de coerção e repressão usados pela grande maioria das escolas. Todas as aulas são opcionais, os alunos podem escolher as que desejam freqüentar e as que não desejam. Neill fundou a escola acreditando que "uma criança deve viver sua própria vida - não uma vida que seus pais acreditem que ela deva viver, não uma vida decidida por um educador que supõe saber o que é melhor para a criança."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Summerhill
Rodrigo,
ResponderExcluirA questão é toda de semântica.
Mudando um pouco o seu parágrafo, você estaria dizendo (implicitamente) que "não é possível ficar rico trabalhando honestamente". Mas ainda não vi definições satisfatórias para "rico", "trabalho" e "honesto".
Pessoalmente, ser "rico" significa ter poder suficiente ou acima do suficiente para superar ou eliminar qualquer obstáculo que se interponha entre a minha pessoa e o que me dá prazer/traga satisfação. Onde "obstáculo" é qualquer oposição, real ou imaginária, física, social ou psicológica.
"Trabalho" é o esforço despreendido, não importa como ou de que tipo.
E "honesto" apenas aquilo que não fere a minha moral pessoal e que não cause retaliação (obstáculo) acima da meu poder de superá-la/eliminá-la obedecendo o limite (obstáculo) moral que impus a mim mesmo.
Claro, fica faltando uma definição para moral, mas estou assumindo que moral é subjetiva e pessoal. Assassinato em legítima defesa é absolutamente moral do meu ponto de vista. Até mesmo assassinato em defesa de um ideal, mas algumas pessoas certamente irão discordar, portanto não vale a pena começar essa discussão aqui.
Juntando tudo, a afirmação que não é possível ser rico através do trabalho honesto é vazia. Afinal, a possibilidade de se ter poder suficiente ou acima do suficiente para se obter o que nos dá prazer ou traz satisfação dentro de limites auto-impostos e com o cuidado de não criar mais obstáculos que nosso poder é capaz de superar ou eliminar através de esforço pessoal é completamente dependente de quais seriam esses limites, quanto esforço estamos disposto a fazer, quais obstáculos existem inicialmente, qual a reação que nosso esforço irá causar e qual é o objeto de prazer ou nível de satisfação que pretendemos alcançar.
No mundo real, se eu obtenho prazer acumulando bens materiais reconhecidamente únicos (obras de arte, por exemplo) e me auto-limito a não roubar, extorquir, subornar ou matar para obtê-los para não ter de enfrentar as penas normalmente associadas a essas duas ações (prisão ou pena de morte), preciso então ter algo de valor percebido igual ou superior à peça que quero adquirir - preciso de material de troca, normalmente dinheiro, mas não necessariamente.
Por outro lado, pode ser que eu esteja disposto a extorquir alguém que tenha a posse desse objeto, ainda que não queira matar, nem roubar para isso. Nesse caso, preciso de material de troca suficiente para adquirir informação de valor suficiente para que a extorsão funcione.
Claro, pode ser que contentamento (como o estado onde se tem a posse ou o acesso a tudo que nos dá prazer ou nos traz satisfação) seja alcançado no fato de se ter um companheiro e prole e capacidade (poder) de se manter em conforto (satisfeito/parcialmente contente) e aos nossos dependentes.
Enfim, é uma equação em um espaco heptadimensional - prazer, energia do indivíduo (para realizar o trabalho), poder, obstáculos externos, obstáculos internos (moral), reação negativa e valor percebido do que desejamos.
É preciso atribuir um valor para cada uma dessas dimensões antes de se poder resolver a equação "possível/não possível ser rico através de trabalho honesto".
E todas elas são variáveis ao longo do tempo, onde três são objetivas (energia, poder, obstáculos externos), duas são subjetivas e pessoas (prazer e obstáculos internos) e, portanto, altamente suspeitas, e duas são resultados da interação entre as partes (reação negativa e valor percebido).
Ou seja, cada caso tem de ser resolvido individualmente, não existe uma solução única para todos os casos.
Cheers.
Nem me fale sobre vocacao!
ResponderExcluirLarguei o direito para fazer ser designer.
Meus primos que seguiram a carreira sao juizes...
E eh melhor nem comparar a diferenca entre a media salarial. ;p