Férias? O que é isso?
Quando éramos jovens, crianças ainda, tínhamos férias! Isso sim eram férias! 3 meses de férias no verão e 1 mês de férias no inverno.
Podíamos ficar o dia inteirinho a trabalhar no que mais nos interessava.
Piscina, praia, bicicleta, brincar de polícia-ladrão, subir morro, fazer represa na chuva, conversar com os amigos até tarde, ver TV, na época 1 canal só que passava filme, sessão da tarde, Jerry Lewis, filmes de guerra e de caubói.
Podíamos ficar na rua, brincando sem problemas.
Nossos pais, quando tiravam férias, passavam o mês inteirinho com a gente, as vezes dava até para viajar.
Era um mundo mais lento, mas fácil de entender e de viver, bom e mau, preto e branco.
Não sou saudosista, nem penso que o mundo era melhor naquela época.
Vivíamos uma ditadura militar, não tínhamos opção de cultura, apenas o que era fornecido pelo monopólio televisivo, censura e tudo o mais... sem contar que vivíamos em um mundo onde quase nada acontecia, o tempo não passava.
Me lembro de um filme que sou fã, do Grupo Monty Python, "A Vida de Brian", se você não o viu encontre em sua locadora mais próxima e veja!
É hilário... em um determinado trecho onde o personagem principal está escondido dos romanos no seio de uma "Organização para a Libertação da Palestina" (ou algo muito parecido, com o nome mais engraçado) que eles conspiram para sequestrar a mulher de Pôncio Pilates e discutem o que irão pedir como resgate... o diálogo é mais ou menos assim(os puristas que perdoem minha memória):
- Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista!
- Mas eles nos truxeram o Aqueduto que nos mantém com água o ano todo...
- Então...Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista e deixem o aqueduto!
- Mas eles nos truxeram as estradas e os pedágios, que é uma ótima fonte de arrecadação...
- Então...Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista e deixem o aqueduto, as estradas e os pedágios!
- Mas eles nos truxeram a organização nas feiras, a coleta de lixo e a saúde...
- Então...Que os Romanos vão embora e levem toda a sua influência cultural e imperialista e deixem o aqueduto, as estradas e os pedágios, deixem também a organização das feiras, a coleta de lixo e a saúde!
- E eles trouxeram também seu dinheiro para gastar conosco e suas mulheres que são ótimas e nos deixam bulir com elas!
- É... os Romanos só trouxeram coisas boas... Então,... que os Romanos apenas vão embora e deixem toda a sua influência cultural e imperialista e suas mulheres para que possamos bulir com elas!
Resultado...vivemos querendo manter os lucros que as mudanças nos proporcionam, mas não desejamos pagar o preço. A pós-modernidade nos fez perder as férias, temos tempo nenhum, ficamos o dia e o ano inteiro correndo atrás do prejuízo, sonhamos com aquele passado de criança, quando tudo era mais simples.
Não queremos abrir mão de tudo o que temos hoje: Liberdade, opções, comunicação instantânea, pluralidade cultural, saúde, remédios para quase tudo, meios de locomoção mais seguros, comida saudável se vc deseja ter comida saudável... enfim... é inegável que hoje é melhor que há vinte anos atrás...
Mas vivemos uma correria que poderia ser menor. Poderíamos ter um mundo mais justo, mais correto para se viver honestamente, nisso eu concordo.
Mas eu disse que está melhor e não que está perfeito!
Há uns 10 anos atrás eu tinha um cliente no Rio, que trabalhava sempre de terno, todos os empregados dele também, de segunda a sexta era aquela correria, sempre muito trabalho e muita atividade e preocupação, bem humorados, mas muito sérios.
Teve uma vez que precisei ir lá durante um final de semana e o que descobri? Estavam todos lá! Trabalhando, apenas com roupas diferentes... bermuda e camiseta, todos sorridentes, alegres, felizes, mas lá... trabalhando... e, note bem, corretamente recebendo para isso...
Neste dia eu descobri que na atualidade a diferença entre o trabalho e o descanço é a vestimenta!
Que é impossível ter férias de um mês e finais de semana de pernas pro ar! Que esta imagem paradisíaca da época de nossos pais corresponde a uma realidade que não existe mais.
Que somos seres produtivos e que não pode haver diferença entre trabalho e descanso maior que a roupa que usamos e, finalmente que, quando éramos crianças não tínhamos a percepção de que nossos pais também não descansavam como lembramos que eles faziam.
Eu viajei, visitei em férias alguns países e o que fiz durante os 10 ou 15 dias nos lugares? Trabalhei, andei prá cima e para baixo tentando aproveitar o máximo o lugar, fotografando, indo a shows e óperas, comprando, consumindo... correndo igualzinho ao meu período de trabalho!
Sem descanço.
Quando estava chegando ao final de minhas férias sonhava com voltar ao trabalho para descançar! Voltar para a minha cama!
Férias de 30 dias? Alguém tem uma prá vender? Pago bem!
Mas eu quero as férias... de pernas pro ar!
Abraços
Rodrigo
Óimo texto Rodrigo,
ResponderExcluiré a nossa dura realidade.
Um grande abraço
Óimo texto Rodrigo,
ResponderExcluiré a nossa dura realidade.
Um grande abraço
Óimo texto Rodrigo,
ResponderExcluiré a nossa dura realidade.
Um grande abraço
Óimo texto Rodrigo,
ResponderExcluiré a nossa dura realidade.
Um grande abraço
Obrigado Roberto!
ResponderExcluirPois é, Rodrigo, dificil fazer escolhas, acho até que já te falei disso... tem uma hora que a gente começa a perceber que não tem mais 4 meses de férias nem saúde para virar tanta noite... Estou tentando conciliar as minhas escolhas e me dar mais tempo de vida para fazer mais do que trabalhar... seu texto ficou muito bom, hein??? beijo!
ResponderExcluirComo alguém que já chegou a ter férias planejadas como plano de batalha de mercenários suíços, eu também adoraria 30 dias de férias. Mesmo 15, mas dessas de ficar de pernas para o ar e fazer nada.
ResponderExcluirE um emprego em que me deixassem trabalhar das 11 às 5 de jeans e camiseta. E pagassem bem! I.e., bastante para eu não querer largar nunca e manter TODOS meus vícios! :-D
Enquanto estamos nessa, tem mais alguns milagres que eu queria também ...
Como alguém que já chegou a ter férias planejadas como plano de batalha de mercenários suíços, eu também adoraria 30 dias de férias. Mesmo 15, mas dessas de ficar de pernas para o ar e fazer nada.
ResponderExcluirE um emprego em que me deixassem trabalhar das 11 às 5 de jeans e camiseta. E pagassem bem! I.e., bastante para eu não querer largar nunca e manter TODOS meus vícios! :-D
Enquanto estamos nessa, tem mais alguns milagres que eu queria também ...
Bons tempos que não voltam mais...heheheh Aram, esse emprego eu também quero, se aparecer 2 me avisa!
ResponderExcluirQual que é o santo das causas impossíveis mesmo??? rsrsrsrs Vou te mandar umas orações procê fazer novena pro santinho... :P
ResponderExcluirPaula,
ResponderExcluirHá muito tempo que eu percebi que viver é apenas escolhas.
Não importa quais sejam elas, certas ou erradas, precisamos conviver com nossas escolhas e sermos firmes para podermos voltar atrás sempre que necessário.
Concordo com o Almir Sater, felicidade é isso... compreender a marcha e seguir em frente, Cada um de nós compõe a sua história, Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz de ser feliz.
Apenas acho que é possível!
Abraços
Rodrigo
Santo Expedito
ResponderExcluirSanta Rita dos Milagres Impossíveis, igreja ali no largo perto da faculdade de História da UFRJ.
ResponderExcluirPode deixar. Se eu arranjar dois, eu aviso aos amigos. O amigo mais rápido leva ... é que arranjar um para cada um vai ser um pouco mais difícil e assim fica um pouco menos injusto.
ResponderExcluirConcordo que seja tudo apenas escolhas que fizemos e fazemos, muitas por conta de escolhas anteriores. Por isso que eu não gosto de quem se faz de vítima, mesmo quando sou eu mesmo - a pessoa escolheu, assuma e corrija se puder, ou aceite e aprenda a contornar se não der para corrigir.
ResponderExcluirMas acho que isso de saber viver com as próprias escolhas não é felicidade, é contentamento. E que muito do que nos traz insatisfação é confundirmos nossa necessidade de estarmos contentes e bastantes em nossas escolhas com a vontade que queremos de que nossas escolhas nos deixassem felizes.
Felicidade acontece e muito pouco dela resulta de escolhas nossas, mas de incidentes fortuitos. E nem sempre dura muito. Contentamento e satisfação, esses sim são produtos de nossas escolhas, o primeiro ao aceitarmos o que escolhemos e o segundo ao aprendermos a escolher o que está de acordo conosco mesmo.
Sei lá ... isso é uma conversa longa melhor realizada com uma vasta seleção de bebidas ... pretende vir ao Rio um dia, Rodrigo?
Agora com 4 filhotes pequenos é difícil viajar.
ResponderExcluirMas estaremos no Rio em maio para o casamento do meu sobrinho. Não sei se teremos tempo para um chopp, sabe como é...quem tem 4 filhos não pode ir prá farra por muito tempo e ainda mais quando eles ainda são pequenos... pois ainda não podemos levá-los junto!
Mas gosto de saber que ainda existem conversas longas e assuntos polêmicos! E acredito neste espaço para isso...